quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gripe

No mês de abril de 2009 os noticiários foram invadidos por informações de uma nova modalidade do vírus influenza que estava atacando milhares de pessoas no México.
Cerca de 6 meses depois o H1N1, a gripe A ou mais conhecida como gripe suína já é, segundo a OMS o vírus da gripe dominante, estando presente em 60% dos casos de gripe diagnosticados. Além disso, o Brasil se tornou o líder em número de mortes pelas complicações da doença.
Curiosamente, pouco mais de um mês após o inicio tardio das aulas na maioria das escolas, não se fala mais da pandemia de H1N1, ou se se fala, é muito pouco, dando a impressão que a doença não existe ou que está controlada.
O que pode acontecer nas proximas semanas, é sim, vermos uma elevação dos casos de dengue, fato comum no nosso país já há alguns anos. Mas, passando o próximo verão, existe grande possibilidade de um retorno em escala maior dos episódios de H1N1 aqui no Hemisfério Sul.
Acredito que quem lê esse blog, deve ter conhecido alguém que foi contaminado e desenvolveu a gripe suína.
Embora a gripe tenha se mostrado muito menos letal do que se imaginava, ficando no índice de mortalidade muito menor do que se suponha inicialmente, a SARS, que atingiu menos pessoas, proporcionalmente matou mais. Agora a maior preocupação das autoridades sanitárias é com relação uma mutação, aparentemente já em curso, do H1N1, o que pode transformar a doença em uma mera gripinha, que se cura sozinha, como também, numa peste capaz de dizimar milhões de pessoas.
Não há vacina comprovadamente eficaz para gripe suína especificamente, pelo menos por enquanto.
Existe um preparado homeopático que tem se mostrado um bom auxiliar no tratamento e prevenção de gripes, entre elas a suína, mas a falta de embasamento por estudos clínicos controlados não caracterizam esse produto como tratamento de escolha.
E temos a droga oseltamivir, um antiviral, inibidor da neuroaminidase do virus influenza que impede seu desenvolvimento e ampliação da infecção, que hoje é o único tratamento específico de gripes de qualquer tipo de vírus influenza.
Lançado em 1997/98 pela Hoffmman La Roche, o oseltamivir sob a marca Tamiflu, no Brasil foi um fiasco comercial no seu lançamento, simplesmente porque tinha como público alvo um público esquecido socialmente e desinteressante economicamente no nosso contexto: Era voltado para o tratamento da gripe do paciente idoso.
Na maioria das vezes amparados por uma aposentadoria que não lhe cobre as necessidades básicas, ficou claro que o produto não seria o sucesso de vendas que o fabricante esperava que fosse, porque tirar 35% do salário minimo da época para custear um tratamento de gripe é, digamos, meio desproporcional e inviável.
Isso fez com que, aqui no Brasil, o produto saísse da promoção à classe médica poucos anos depois do seu lançamento, por volta de 2002.
O renascimento do oseltamivir ocorreu por ocasião do surto da SARS, ou gripe aviária que ocorre nos países da Ásia e Africa em 2003/2004. Mas como isso aconteceu onde aconteceu, logo voltou à obscuridade.
Durante 4 meses desse ano o oseltamivir se tornou novamente um medicamento mencionado, falado e desejado, por que é, por enquanto o único tratamento efetivo contra o vírus da gripe. Compras realizadas pelos governos, inclusive o governo brasileiro deverão transformar o fabricante numa das empressas que mais faturarão em 2009, no mercado farmacêutico global.
Agora, imaginemos que o fabricante tivesse abandonado totalmente seus interesses sobre o oseltamivir, desativasse fábricas, desestimulasse estoques e parasse com qualquer minimo investimento que fosse, para que um medicamento capaz de salvar vidas, como o fez nos casos de H1N1 em que chegou na mão do paciente em tempo, e não estive mais disponivel: Quais seriam as consequencias para a população?
Normalmente é assim que qualquer empresa faz com seus produtos que não lhe trazem o resultado financeiro esperado. Mas ao setor farmacêutico, lhe é socialmente impedido de proceder assim.
Por isso, é bom que reflitamos sobre nossa relação com os remédios que tomamos.
Seria excelente se pudessemos viver saudáveis num mundo sem remédios. Mas por enquanto, isso não é possível. Por isso o melhor que podemos fazer é vivermos de tal forma que não necessitemos de medicamento. E quando isso não for possível, pelo menos termos a consideração de imaginar que até a chegar à nossa boca, aquele comprimido tem vários anos de investimento em pesquisa, desenvolvimento, máquinas e sobretudo de pessoas dedicadas, que como você tem família, filhos e amigos mas que põem de lado os interesses pessoais para fazer com que sua saúde seja preservada e você possa viver um pouco mais e melhor. Pense nisso antes de falar que o preço do remédio está pela hora da morte.

domingo, 27 de setembro de 2009

Retorno à postagem

Hoje, quase um ano depois da minha última postagem, posso ver que pouca coisa mudou.
Na minha vida em particular, não.
Estou trabalhando numa empresa e atividade diferentes, mas totalmente ligada a Indústria que tanto amo.
Durante muitos dos últimos meses de minha vida, ouvi muita gente próxima de mim dizer que eu deveria mudar de ramo. Me contentar com o pouco a arriscar o muito.
Não sou assim. Talvez um dia eu venha a ser. Mas hoje seguramente, não sou.
Gosto do que eu faço, simplesmente pelo fato de que sou eu que faço.
Estou ligado ao marketing farmacêutico, ajudando através de meu trabalho, algumas industrias farmacêuticas terem uma comunicação médica efetiva e ética.
Para quem leu meu blog (pelo número de comentários - 0 - deve ter sido muita gente) deve ter perccebido que continuarei fazendo o que sei fazer de melhor. Usar as idéias e as palavras para que se entenda o quanto a saúde e o medicamento correto faz a diferença na vida de um ser humano.
Agradeço seus comentários.